Sandoval Mendes Graciano - Pioneiro e Fundador de Raízes em Baixa do Meio:
Sandoval Mendes Graciano nasceu em solo potiguar, pertencente à região de São Gonçalo do Amarante, de onde também se originava parte de sua família. Criado em ambiente simples, mas de fortes valores morais e afetivos, cresceu cercado pela fé, pelo trabalho e pela vontade de construir um futuro melhor.
Homem de postura serena, alta estatura, cabelos claros e pele branca, Sandoval era conhecido pela calma no olhar e pela forma pacífica de lidar com todos ao seu redor. Desde jovem, buscava oportunidades de trabalho e, movido pelo desejo de progresso, deixou São Gonçalo do Amarante e partiu rumo ao agreste potiguar.
O Caminho e o Trabalho
Naquela época, o sertão do Rio Grande do Norte passava por transformações. O governo iniciava obras de infraestrutura, abrindo estradas que entregariam cidades e comunidades até então isoladas. Sandoval encontrou ali seu propósito: trabalhou como mestre de obras na construção da BR-406, ligando Jandaíra a Macau.
Foi responsável não apenas pelo traçado das vias, mas também por escavações e abertura de poços ao longo do percurso — muitos deles, ainda que hoje desativados, testemunham seu esforço e dedicação.
Primeiro poço público perfurado pela IFOCS - Serra Verde 1935:
A Chegada a Baixa do Meio
Durante as obras, Sandoval chegou ao território onde mais tarde surgiria a comunidade de Baixa do Meio. Naquele tempo, o local era apenas mata fechada — uma “baixa” cercada por capoeira, como diziam os antigos.
Foi ali, no meio do nada, que Sandoval decidiu fincar raízes. Escolheu aquele ponto do caminho para erguer sua casa, construir sua vida e formar sua família.
Casou-se com Helena Matias Graciano, companheira fiel de toda a jornada. No dia 9 de julho de 1946, nasceu a primeira filha do casal, Maria Matias Graciano, que mais tarde, ao casar-se, passou a assinar Maria Graciano Câmara — considerada uma das primeiras crianças a nascer em Baixa do Meio.
Maria Matias Graciano - primeira criança a nascer em terras de Baixa do Meio (1946):
Com o passar dos anos, Sandoval e Helena tiveram outros filhos, muitos dos quais seguiram seus caminhos e hoje residem no Rio de Janeiro, mantendo viva a memória e o legado do pai.
Homem de Família e Amigo do Povo
Sandoval Mendes Graciano foi lembrado como bom esposo, pai dedicado e amigo leal. Sua casa era ponto de acolhimento, seu nome sinônimo de respeito e sua presença, motivo de confiança. Trabalhou duro, construiu com as próprias mãos o espaço onde hoje se ergue parte da comunidade, tornando-se uma das figuras históricas do município.
Mesmo sem buscar destaque, deixou sua marca em cada gesto e em cada história contada pelos antigos moradores.
Partida e Último Desejo
Já em idade avançada, Sandoval viveu seus últimos anos em paz. Faleceu tranquilamente durante o sono, deixando saudades e lembranças que atravessaram gerações.
Antes de partir, expressou um pedido simples, porém carregado de sentimento: queria ser enterrado no Moinho do Juá, ao lado de um grande amigo, com quem compartilhou momentos marcantes da vida.
Curiosamente, o destino lhe reservou uma despedida simbólica. Em janeiro de 1997, durante o velório de seu genro Francisco Eufrásio Câmara — esposo de sua filha Maria, vítima de um trágico acidente de trânsito na entrada de Baixa do Meio —, Sandoval, emocionado, disse as palavras que ficariam na memória da família:
“É, Chico, meu amigo, você não me esperou e foi primeiro do que eu... Se preocupe não, este ano ainda nos encontraremos.”
E assim aconteceu. Ainda em 1997, Sandoval Mendes Graciano partiu deste mundo, serenamente, durante o sono, cumprindo, sem saber, a profecia de suas próprias palavras.
Legado
Hoje, o nome de Sandoval Mendes Graciano permanece vivo na memória da comunidade de Baixa do Meio. Sua história se confunde com a própria origem do lugar — um homem que chegou quando nada havia e ajudou a transformar o vazio em morada, o chão em caminho e o silêncio em lar.
No Moinho do Juá, ao lado de seu amigo, repousa não apenas o corpo de um homem, mas a lembrança de um tempo em que coragem e esperança foram as maiores heranças que se podia deixar.



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