Às vésperas do Ano Novo, quando o povo espera alívio, esperança e renovação, a população de Guamaré recebe mais um “presente” indigesto da atual gestão: a consolidação da cobrança do IPTU municipal, somada à já recente taxa de iluminação pública majorada na conta de energia. Medidas que, longe de representar justiça fiscal, escancaram a transferência do peso da má gestão para os ombros do cidadão comum.
O prefeito Hélio surge como o porta-voz de uma política que insiste em arrecadar sem antes reparar, cobrar sem antes devolver em serviços públicos aquilo que é direito básico da população. Em distritos como Baixa do Meio, onde faltam saneamento adequado, pavimentação digna e investimentos estruturantes, o imposto chega não como instrumento de cidadania, mas como punição social.
A lógica é simples — e cruel: quem menos tem, paga mais proporcionalmente.
A taxa de iluminação pública, já sentida diretamente no bolso do cidadão todo mês, foi apenas o primeiro passo. Agora, o IPTU entra em cena como a nova ferramenta de pressão fiscal, sem debate amplo, sem pedagogia tributária e sem garantias reais de justiça social.
Não se trata apenas de cobrar imposto — trata-se de quando, como e de quem se cobra.
O discurso oficial tenta vender a narrativa da “organização fiscal” e da “responsabilidade administrativa”. Mas a população se pergunta, com razão: onde esteve essa responsabilidade ao longo dos últimos 20 anos?
Quem responde pelos buracos — não apenas nas ruas, mas nas contas públicas — deixados por sucessivas gestões que sugaram os recursos de Guamaré sem construir um legado proporcional?
Agora, a conta chega.
E, como quase sempre acontece, não chega aos grandes, nem aos historicamente favorecidos pelo poder local. Chega ao trabalhador, ao aposentado, à dona de casa, ao morador de bairro periférico, ao povo de Baixa do Meio.
A implantação ou fortalecimento do IPTU, sem uma Planta Genérica de Valores socialmente justa, sem isenções claras, sem escalonamento e sem diálogo com a população, é um erro político grave e um risco social anunciado. Arrecadar sem sensibilidade é governar contra o povo.
Guamaré não precisa apenas de mais impostos.
Precisa de:
- transparência real;
- revisão das prioridades;
- responsabilização histórica;
- e, sobretudo, respeito à dignidade da população.
Não se pode pedir ao povo que tape buracos financeiros criados por décadas de má gestão enquanto continua desviando o olhar dos buracos reais das ruas, das casas e da vida cotidiana.
Justiça fiscal começa pelo exemplo de quem governa, não pela punição de quem já sofre.
O povo de Guamaré não é problema.
O problema é governar sem ouvir, sem cuidar e sem assumir os próprios erros.
Veja documento (decreto 046/2025) do diário oficial do município de Guamaré:








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