terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

MPRN aponta má-fé, desobediência judicial e pede busca e apreensão na Câmara de Guamaré

Guamaré (RN) — Um parecer contundente do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) expôs graves irregularidades praticadas pela Presidência da Câmara Municipal de Guamaré no que diz respeito à transparência da execução de despesas públicas. O documento, assinado pela promotora Fernanda Bezerra Guerreiro Lobo, não apenas reconhece a ilegalidade da omissão, como também aponta má-fé processual, descumprimento de ordem judicial e possível crime de desobediência.

O caso teve início a partir de um Mandado de Segurança impetrado por um vereador, após a Presidência da Câmara se negar a fornecer cópias integrais de processos licitatórios e documentos de pagamento, incluindo notas fiscais, liquidação de despesas e listas de beneficiários de verbas indenizatórias, como os chamados jetons e gratificações.

Transparência violada

Segundo o MPRN, a conduta da autoridade coatora fere diretamente o princípio constitucional da publicidade (art. 37 da Constituição Federal) e a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011). O parecer é categórico ao afirmar que não existe qualquer sigilo legal que justifique a ocultação de notas fiscais, comprovantes de pagamento ou listas de beneficiários de recursos públicos.

A tese apresentada pela Presidência da Câmara — de que “tudo estaria disponível no Portal da Transparência” — foi desmentida pelos fatos, já que os documentos exigidos simplesmente não existiam no site oficial, conforme demonstrado nos autos.

Entrega parcial e tentativa de indução ao erro

Mesmo após decisão liminar da Justiça, que determinou a entrega integral dos documentos sob pena de multa diária de R$ 2 mil, o MPRN afirma que houve descumprimento deliberado da ordem judicial.

A Câmara entregou apenas um pen drive com documentos incompletos, contendo exclusivamente a fase inicial de “contratação”, omitindo justamente a fase mais sensível: execução da despesa, que envolve empenhos, liquidações, pagamentos e notas fiscais.

Para o Ministério Público, essa conduta não foi mero erro administrativo, mas uma tentativa clara de induzir o Judiciário ao erro, simulando uma legalidade inexistente.

“A autoridade coatora agiu com má-fé processual”, afirma o parecer.

Jetons sem comprovação

O documento também chama atenção para uma prática considerada gravíssima: a apresentação de meras notas de empenho relativas a jetons, sem a devida lista de beneficiários e atas que fundamentem os pagamentos.

Segundo o MPRN, essa omissão representa um verdadeiro escárnio à fiscalização parlamentar e judicial, pois impede qualquer verificação sobre quem recebeu, quanto recebeu e com base em qual ato administrativo.

Pedido de busca e apreensão e envio à Polícia Civil

Diante da resistência reiterada da Presidência da Câmara, o Ministério Público se manifestou:

Pela concessão definitiva da segurança, confirmando a liminar;

Pela entrega imediata e integral de todos os documentos, tanto da fase licitatória quanto da execução financeira;

Pelo deferimento do pedido de busca e apreensão na sede da Câmara Municipal, uma vez que a multa diária não foi suficiente para garantir o cumprimento da ordem;

E, por fim, pelo envio de cópias do processo à Polícia Civil, para apuração de crime de desobediência judicial.

Gravidade institucional

O parecer do MPRN revela um cenário preocupante: quando um órgão do Poder Legislativo, que deveria zelar pela fiscalização e pela legalidade, atua para ocultar informações públicas, coloca-se em rota de colisão com a Constituição, com a Justiça e com a sociedade.

Mais do que uma disputa judicial, o caso levanta um alerta sobre transparência, controle dos gastos públicos e respeito às instituições, princípios fundamentais para qualquer democracia.





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Guamaré é rica. São Gonçalo cresce. O que explica essa diferença?


No Rio Grande do Norte, dois municípios chamam atenção quando se fala em economia e desenvolvimento: Guamaré e São Gonçalo do Amarante. Ambos figuram entre as maiores economias do estado, mas seguem caminhos completamente diferentes quando o assunto é crescimento populacional e desenvolvimento humano. A pergunta que se impõe é simples, porém incômoda: por que tanta riqueza não gera, necessariamente, mais desenvolvimento?

Guamaré é um caso emblemático. Com uma população pequena, o município ostenta um dos maiores PIBs per capita do RN, impulsionado pela indústria do petróleo, do gás e da energia. No papel, é uma cidade rica. Na prática, no entanto, essa riqueza não se traduz proporcionalmente em crescimento urbano, diversidade econômica nem atração populacional.

Isso ocorre porque o modelo econômico de Guamaré é altamente concentrado. A indústria que gera bilhões depende de pouca mão de obra local, utiliza tecnologia intensiva e mantém grande parte de seus quadros técnicos vindos de fora. O dinheiro entra, mas circula pouco. O resultado é uma economia robusta, porém socialmente limitada, que não cria um ecossistema amplo de oportunidades.

Já São Gonçalo do Amarante vive uma realidade oposta. Mesmo com um PIB bem menor que o de Guamaré, o município apresenta crescimento populacional contínuo, expansão urbana e aumento da demanda por serviços públicos. O motivo é claro: sua economia é diversificada e intensiva em mão de obra. Comércio, serviços, logística, construção civil e a presença do Aeroporto Internacional fazem da cidade um polo de oportunidades.

São Gonçalo atrai pessoas porque gera empregos para muitos perfis, não apenas para técnicos especializados. Atrai famílias, pequenos empreendedores, trabalhadores do setor de serviços e moradores que circulam diariamente pela Região Metropolitana de Natal. Onde há gente, há consumo. Onde há consumo, há cidade viva.

A diferença entre os dois municípios escancara uma verdade incômoda: PIB alto não é sinônimo de desenvolvimento humano. Desenvolvimento exige educação, saúde, mobilidade, habitação, diversificação produtiva e políticas públicas capazes de distribuir oportunidades. Riqueza concentrada pode inflar estatísticas, mas não constrói cidades dinâmicas.

Guamaré não está errada em ser industrial. O problema está em depender quase exclusivamente disso. Sem diversificação econômica, sem fortalecimento do comércio local e sem políticas que transformem arrecadação em bem-estar coletivo, o município corre o risco de ser sempre rico no orçamento e pobre em alternativas para sua população.

São Gonçalo, por sua vez, enfrenta desafios típicos de cidades que crescem rápido: pressão sobre serviços públicos, infraestrutura e planejamento urbano. Mas cresce porque é funcional para quem vive e trabalha ali.

No fim das contas, o contraste entre Guamaré e São Gonçalo deixa uma lição clara para o Rio Grande do Norte:

👉 não basta arrecadar muito, é preciso fazer a riqueza gerar vida, gente e futuro.

O verdadeiro desenvolvimento não se mede apenas em cifras, mas na capacidade de um município reter pessoas, gerar oportunidades e garantir qualidade de vida. E isso, definitivamente, vai muito além do petróleo.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Livro: Guamaré em Ruínas - A Era NoHélio

 


GUAMARÉ EM RUÍNAS: A ERA NOHÉLIO

Uma ficção política sobre poder, silêncio e decadência

⚠️ Nota do Autor (obrigatória)

Esta obra é uma ficção política e social.

Qualquer semelhança com pessoas reais, cargos públicos ou fatos ocorridos não é coincidência: é reflexo de um modelo de poder recorrente na história brasileira.

O autor não formula acusações jurídicas, mas convida à reflexão crítica sobre a má gestão, o autoritarismo velado e o distanciamento entre governo e povo.

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PREFÁCIO

Guamaré não nasceu para ser pequena.

Rica em recursos, estratégica por natureza e abençoada por sua gente trabalhadora, a cidade tinha tudo para prosperar. Mas entre o que entra nos cofres públicos e o que chega à mesa do povo, formou-se um abismo.

Este livro não fala apenas de um homem chamado NoHélio.

Ele fala de um sistema, de uma forma de governar que transforma o poder em trono, a prefeitura em fortaleza e o povo em plateia silenciosa.

A chamada Era NoHélio representa um tempo em que a aparência venceu a essência; em que festas esconderam a falta de políticas públicas; em que propaganda substituiu trabalho; e em que a crítica passou a ser tratada como inimiga.

Não se trata de ódio, mas de memória.

Não se trata de vingança, mas de verdade social.

Porque cidades não caem sozinhas — elas são levadas à ruína por escolhas erradas e pelo silêncio imposto.

Que este livro sirva como espelho.

E que quem se veja nele tenha coragem de mudar.

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📣 MANIFESTO

GUAMARÉ EM RUÍNAS: A ERA NOHÉLIO

Guamaré não é pobre.

Pobre foi a forma como governaram nossa cidade.

Vivemos na terra do sal, do petróleo e do trabalho duro, mas o povo continua à margem, esperando por serviços básicos que nunca chegam por inteiro. Enquanto a propaganda cresce, a realidade apodrece.

A chamada Era NoHélio não é apenas sobre um nome — é sobre um modelo de poder que governa de costas para o povo. Um tempo em que festas tentaram calar a fome, slogans tentaram esconder a falta de políticas públicas e o medo virou instrumento de controle.

Vimos escolas esquecidas, saúde fragilizada, juventude sem horizonte.

Vimos o poder concentrado, a crítica perseguida e o silêncio comprado.

Este manifesto não nasce do ódio.

Nasce da indignação consciente.

Nasce da certeza de que Guamaré pode mais.

Não aceitamos uma cidade rica administrada como se fosse pobre.

Não aceitamos governo de aparência.

Não aceitamos o uso da máquina pública para poucos.

A história não se escreve apenas nos gabinetes.

Ela se escreve nas ruas, nas casas simples, nas vozes que resistem.

Guamaré não está condenada.

Ela está acordando.


CAPÍTULO 1

QUANDO GOVERNAR ERA CONSTRUIR: A ERA JOÃO PEDRO FILHO

Antes de falar das ruínas, é preciso lembrar que Guamaré já conheceu tempos de construção, diálogo e trabalho.

Tempos em que governar não era sinônimo de propaganda, mas de obra entregue, serviço prestado e presença nas comunidades.

Em décadas difíceis para o Brasil — marcadas por escassez de recursos, limitações técnicas e desafios estruturais — Guamaré foi administrada por homens que compreendiam o valor do dinheiro público e o peso da responsabilidade política. Entre eles, João Pedro Filho ocupa lugar central na história administrativa do município.

JOÃO PEDRO FILHO – BIOGRAFIA POLÍTICA E HUMANA

João Pedro Filho nasceu em 07 de junho de 1938, no município de Santa Cruz do Cabugi (Angicos-RN). Ainda jovem, mudou-se para o interior potiguar, vivendo por longos anos na Fazenda Estrela do Norte, em Afonso Bezerra, onde construiu sua formação humana baseada no trabalho, na simplicidade e na convivência comunitária.

Já adulto, transferiu-se para Guamaré, fixando residência no distrito de Baixa do Meio, local que se tornaria o berço de sua trajetória política e social. Foi ali, no contato direto com o povo, que João Pedro consolidou sua imagem de homem acessível, de escuta atenta e postura simples — características raras e decisivas na política local.

Sua vida pública começou no Legislativo Municipal, onde exerceu o cargo de Vereador entre 1973 e 1977. Desde então, destacou-se por um estilo político baseado no diálogo direto, nas ruas, nas casas e nas comunidades, sem intermediações artificiais ou distanciamento institucional.

João Pedro Filho governou Guamaré por três mandatos como Prefeito, sendo o primeiro entre 1989 e 1992, tendo como vice-prefeito Arnoud Evaristo de Lima, seguido pelos mandatos de 1997 a 2000 e 2001 a 2003. Foi o gestor que mais tempo esteve à frente do Executivo Municipal até então, fato que, por si só, revela o reconhecimento popular.


UM GOVERNO DE REALIZAÇÕES EM TEMPOS DIFÍCEIS

Governar Guamaré nas décadas finais do século XX não era tarefa simples. O país enfrentava crises econômicas, inflação elevada e escassez de investimentos federais. Ainda assim, João Pedro Filho entregou obras estruturantes em praticamente todos os segmentos da administração pública.

🏗️ Infraestrutura, Esporte e Lazer

Durante seus governos, foram construídos dez ginásios esportivos, distribuídos entre:

Baixa do Meio

Santa Paz

Lagoa Doce

Mangue Seco I e II

Lagoa de Baixo

Salina da Cruz

Escolas Benvida Nunes Teixeira e Francisca Freire de Miranda

Além disso, foram construídos dois estádios de futebol, um em Guamaré e outro em Baixa do Meio, promovendo esporte, lazer e inclusão social.

🏠 Habitação

João Pedro foi responsável pela construção de cerca de 2.300 casas populares, enfrentando um dos maiores déficits habitacionais do município e garantindo dignidade a centenas de famílias.

📚 Educação

Na educação, seu governo:

Construiu e ampliou escolas em diversas comunidades

Criou salas de aula em localidades como Santa Paz, Vila Maria, Vila Nova, Lagoa Seca, Lagoa de Baixo e Assentamento Umarizeiro

Ampliou a Escola Maria Madalena (17 salas)

Implantou creches em Baixa do Meio e Guamaré

🏥 Saúde

Na área da saúde, João Pedro:

Construiu o Hospital Manoel Lucas de Miranda, em Guamaré

Implantou o Posto de Saúde de Baixa do Meio, ampliando o atendimento básico

🚰 Água e Urbanização

Um dos marcos de sua gestão foi o abastecimento de água:

Perfuração de cerca de 250 poços tubulares

Construção de uma adutora com 72 km de extensão

Implantação de caixas d’água em várias comunidades

Garantia de água tratada em parceria com a Caern

Na urbanização:

Calçamento e pavimentação de ruas em Guamaré e Baixa do Meio

Aquisição de frota municipal com cerca de 32 veículos

Construção de rodoviárias nos dois distritos

💡 Energia, Administração e Desenvolvimento

Eletrificação de mais de 200 km de áreas rurais e urbanas

Construção de prédios públicos: Prefeitura, Câmara Municipal, Fórum, Secretarias, Centros de Convivência de Idosos

Promoção de mais de 100 cursos profissionalizantes

Inserção de Guamaré no Programa Nacional de Municipalização do Turismo

Tudo isso realizado sem espetáculo, sem redes sociais, sem marketing agressivo — apenas trabalho.


A TRANSIÇÃO: A ASCENSÃO DE DEDÉ CÂMARA

Com o fim de um de seus ciclos administrativos, João Pedro Filho exerceu um papel decisivo na sucessão política do município. Seu apoio foi fundamental para a vitória de José da Silva Câmara, conhecido popularmente como Dedé Câmara, eleito Prefeito no período de 1993 a 1996.

Dedé Câmara, nascido em Guamaré em 02 de maio de 1961, construiu sua trajetória como professor, diretor escolar e servidor público, tendo atuado como Secretário de Administração no primeiro governo de João Pedro Filho. Sua eleição representou continuidade administrativa, estabilidade política e manutenção do diálogo com a população.

O apoio de João Pedro não foi apenas eleitoral — foi simbólico. Representava a confiança em um projeto político baseado na escuta, na presença e no compromisso público.


ENCERRAMENTO DO CAPÍTULO

Este capítulo não é nostalgia.

É referência histórica.

Serve para lembrar que Guamaré já foi governada com seriedade, mesmo quando os recursos eram escassos. Que já houve tempos em que a política caminhava junto com o povo, e não acima dele.

É a partir dessa memória que se compreende melhor a ruína.

Porque só quem já viu a cidade crescer sabe reconhecer quando ela começa a cair.


CAPÍTULO 2

OS BASTIDORES DO GOLPE: O NASCIMENTO DA ERA NOHÉLIO

Nenhuma ruína começa de um dia para o outro.

Antes do desabamento visível, há sempre tramas silenciosas, movimentos de bastidores e ambições que crescem à sombra do poder.

Em Guamaré, o fim de um ciclo histórico não se deu apenas pelo desgaste natural do tempo. Segundo a memória política local, um golpe vinha sendo gestado lentamente, arquitetado longe dos olhos do povo, enquanto a cidade ainda acreditava na continuidade de um projeto popular iniciado décadas antes.

A QUEDA QUE MARCOU UMA ERA (2009)

O ponto de ruptura ocorreu em 2009, com a cassação do mandato do Prefeito Mozaniel de Melo Rodrigues e de seu Vice, filho do ex-prefeito João Pedro Filho. Para muitos guamareenses, aquele episódio não foi apenas um ato jurídico — foi o marco simbólico da interrupção de uma linhagem política que havia moldado o município com obras, presença popular e liderança consolidada.

Na narrativa que ecoa nas ruas e nas conversas políticas da cidade, a cassação representou a culminância de um processo, não um fato isolado. Um processo no qual interesses, alianças e estratégias se alinharam para derrubar a maior liderança política da história de Guamaré: João Pedro Filho, ainda que de forma indireta.


O HOMEM DOS BASTIDORES

É nesse contexto que surge, com mais nitidez, a figura de Hélio — apelidado nesta obra de NoHélio.

Nos bastidores da política local, ele já era visto como um personagem ardiloso, estrategista frio, alguém que compreendia o poder não como serviço, mas como instrumento de controle.

Ainda longe do protagonismo formal, NoHélio construiu sua força nas margens do poder, transitando entre cargos, articulações e alianças familiares. Não falava alto. Não se expunha demais. Observava, calculava e aguardava.

Na memória política local, muitos acreditam que ele enxergou antes dos outros aquilo que poucos ousavam imaginar:

que seria possível desmontar, por dentro, a estrutura política construída por João Pedro Filho.


A PRIMEIRA ASCENSÃO (2000–2004)

A primeira vitória estratégica de NoHélio teria ocorrido nas eleições de 2000, quando passou a ocupar espaço relevante no Legislativo Municipal, chegando ao cargo de Primeiro Secretário da Câmara até 2001. Ali, aprendeu os ritos, as fragilidades e os atalhos do sistema.

Não era ainda o homem do poder visível, mas já exercia influência.

Segundo relatos políticos da época, aprendeu a arte da articulação silenciosa: construir maioria, enfraquecer adversários e preparar sucessões.


A SUCESSÃO FAMILIAR E O AVANÇO DO PROJETO

Com a queda do governo de Dedé Câmara no período de 2007–2008, abriu-se uma nova brecha no tabuleiro político. NoHélio teria então articulado a ascensão de seu cunhado, Auricélio Teixeira, eleito como segundo candidato mais votado, consolidando o avanço de seu grupo.

A estratégia era clara: ocupar o poder sem necessariamente expor o verdadeiro comandante.

Enquanto os rostos mudavam, o centro de decisões permanecia o mesmo.


A QUEDA DEFINITIVA DA ANTIGA LIDERANÇA

Entre 2009 e 2012, após a cassação de Mozaniel Rodrigues, o cenário político de Guamaré entrou em um período de instabilidade profunda. Para muitos, esse foi o momento em que o projeto antigo foi definitivamente desmontado.

Sem João Pedro Filho no centro das decisões e com sua influência política neutralizada, o caminho ficou aberto para aquilo que os bastidores já anunciavam: a ascensão definitiva de NoHélio ao poder.


A TOMADA DO PODER (2012–2013)

A partir de 2012/2013, NoHélio deixa de ser apenas o estrategista oculto e assume o protagonismo formal. O poder, antes articulado nas sombras, passa a ser exercido diretamente.

Na leitura crítica desta obra, inicia-se ali a Era NoHélio — marcada por centralização, conflitos institucionais e uma relação cada vez mais tensa com os demais poderes.


O PODER A QUALQUER CUSTO

Nos anos seguintes, segundo a percepção popular, NoHélio demonstrou disposição para enfrentar inclusive instâncias judiciais, como ocorreu em 2018, numa disputa que atravessou diferentes níveis do Judiciário.

Mesmo diante de crises e embates, manteve-se no poder por meio de indicações estratégicas, colocando aliados próximos em posições-chave:

Em 2018, a indicação de Adriano Diógenes como secretário

Em 2020, a nomeação de um sobrinho, filho de Auricélio Teixeira, reforçando a concentração familiar do poder

O governo passa a assumir contornos de projeto pessoal, onde o Estado se confunde com o grupo.


A DIVISÃO FAMILIAR E O GOLPE FINAL (2024)

O ciclo se fecha com aquilo que muitos consideram o sinal definitivo de esgotamento: a divisão interna da própria família política e os eventos que culminam no golpe de 2024, fragmentando alianças antes inabaláveis.

O poder que nasceu da articulação silenciosa termina cercado por conflitos, rupturas e desconfiança.


ENCERRAMENTO DO CAPÍTULO

A Era NoHélio não começa com um mandato.

Ela começa com uma ideia de poder.

Uma ideia que substitui o diálogo pela estratégia, a coletividade pelo controle e a política pelo cálculo. É a partir desse ponto que Guamaré deixa de ser governada por projetos e passa a ser conduzida por interesses concentrados.

No próximo capítulo, não falaremos mais de bastidores.

Falaremos das consequências.


CAPÍTULO 3

A CONSOLIDAÇÃO DO PODER E O GOVERNO Da APARÊNCIA

Quando o poder deixa de ser meio e passa a ser fim, ele precisa de algo essencial para sobreviver: aparência.

A Era NoHélio, já instalada no comando formal do município a partir de 2012/2013, não se sustentou apenas por vitórias eleitorais, mas pela construção cuidadosa de uma narrativa.

Governar passou a significar parecer governar.


DO BASTIDOR AO CENTRO DO PALCO

Depois de anos atuando nos bastidores, NoHélio compreendeu que o exercício direto do poder exigia outro tipo de estratégia. Já não bastava articular alianças silenciosas — era preciso ocupar o imaginário coletivo, dominar o discurso público e neutralizar a crítica.

A prefeitura deixou de ser apenas um espaço administrativo e passou a funcionar como central de comunicação política. Cada ação precisava ser vista, registrada, divulgada e repetida. O que não aparecia, não existia.

Assim se inicia o governo da aparência.


MARKETING COMO POLÍTICA PÚBLICA

Na narrativa construída, Guamaré passou a ser apresentada como cidade em constante avanço. Eventos, festas, inaugurações simbólicas e campanhas publicitárias ganharam protagonismo. A gestão passou a falar mais do que a cidade sentia.

Na leitura crítica deste período, a propaganda ocupou o espaço das políticas estruturantes. O discurso cresceu, mas os problemas históricos — saúde, educação, emprego, infraestrutura básica — continuaram presentes na vida cotidiana do povo.

Criou-se um paradoxo:

uma cidade celebrada nos anúncios,

mas questionada nas ruas.


A CENTRALIZAÇÃO DAS DECISÕES

Outro traço marcante da consolidação do poder foi a concentração extrema das decisões. Secretarias, conselhos e órgãos técnicos passaram a operar sob rígido controle político. A autonomia administrativa foi sendo substituída pela obediência.

Nesse modelo, a lealdade passou a valer mais que a competência.

A crítica interna foi tratada como ameaça.

O contraditório, como deslealdade.

O governo deixou de ouvir para comandar.


O MEDO COMO INSTRUMENTO SILENCIOSO

Não foi preciso repressão aberta.

Segundo a percepção popular, o controle se deu por meios mais sutis: contratos temporários, indicações políticas, favores e dependência econômica.

Criou-se um ambiente em que muitos preferiram o silêncio à discordância.

A política deixou de ser debate e passou a ser risco.

Nesse cenário, a cidade falava baixo — e o poder falava alto.


O EMBATE COM AS INSTITUIÇÕES

A consolidação da Era NoHélio também foi marcada por conflitos institucionais recorrentes. Em momentos decisivos, como em 2018, o governo se viu envolvido em disputas que atravessaram diferentes instâncias do sistema judicial.

Na narrativa de seus apoiadores, tratava-se de perseguição.

Na visão crítica, era o sintoma de um projeto que testava os limites da legalidade para se manter de pé.

Independentemente da interpretação, o fato é que o governo passou a conviver permanentemente com a instabilidade jurídica, reforçando a sensação de que o poder precisava ser defendido a qualquer custo.

O ESTADO CONFUNDIDO COM A FAMÍLIA

Com o tempo, a linha que separa o público do privado tornou-se cada vez mais tênue. Indicações de aliados próximos e familiares para cargos estratégicos reforçaram a ideia de patrimonialização do poder — quando o Estado passa a funcionar como extensão de um grupo.

As nomeações de figuras diretamente ligadas ao núcleo político, em 2018 e 2020, não foram apenas decisões administrativas; tornaram-se símbolos de um modelo fechado, pouco permeável à alternância e ao pluralismo.


A OPOSIÇÃO ENFRAQUECIDA

Outro efeito da consolidação foi o enfraquecimento da oposição. Parte foi cooptada, parte se calou, parte foi fragmentada. Sem liderança unificada e com receio de retaliações, a resistência perdeu fôlego.

O resultado foi uma democracia local formalmente ativa, mas politicamente empobrecida.

ENCERRAMENTO DO CAPÍTULO

A Era NoHélio consolidou-se não apenas pelo voto, mas pela ocupação total do espaço político. O poder passou a ser exercido como permanência, não como mandato.

Este capítulo não acusa.

Ele descreve um modelo.

Um modelo em que a aparência substitui a essência, o controle substitui o diálogo e o governo passa a existir mais para se manter do que para servir.

No próximo capítulo, veremos o que acontece quando esse modelo começa a produzir ruínas visíveis — não apenas nos prédios, mas nas relações humanas e na confiança do povo.


CAPÍTULO 4

MÁSCARAS E RUÍDOS: A OPERAÇÃO MÁSCARA NEGRA E AS CONTRADIÇÕES DA CIDADE

Um poder que se preocupa mais com aparência do que com substância acaba, inevitavelmente, se enredando nas próprias teias.

Assim se desenha uma das páginas mais conturbadas da história recente de Guamaré: a chamada Operação Máscara Negra — um nome simbólico para um episódio que expôs sombras e ruídos no coração da administração municipal.

Foto de Tribuna do Norte

A OPERAÇÃO MÁSCARA NEGRA (2013 / 2018)

No dia 9 de abril de 2013, o Ministério Público do Rio Grande do Norte deflagrou a Operação Máscara Negra em Guamaré — uma ação destinada a investigar contratações suspeitas de bandas e serviços artísticos para eventos públicos, especialmente o Carnaval de 2012, patrocinados pela prefeitura. MPRN

Segundo os registros oficiais, a ação resultou no cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão, além de próprias prisões temporárias de investigados, com o objetivo de desarticular esquemas considerados irregulares em licitações e contratações. MPRN

Anos depois, em 2018, a Justiça do Rio Grande do Norte recebeu denúncia do Ministério Público contra 19 pessoas pelos crimes de peculato, fraude à licitação e associação criminosa no âmbito dessa investigação, com foco nas contratações celebradas em 2012 para eventos festivos municipais. Luciano Seixas 

Esse movimento processual colocou figuras próximas ao então comando político da prefeitura na mira do sistema de justiça, transformando aquilo que era rumor de bastidores em documento público e processo judicial.

FAMÍLIA, AMIGOS E ALIADOS NO CENTRO DO OLHAR

A investigação teve como foco um grupo de pessoas que, segundo os autos, atuou em conjunto com agentes públicos para realizar contratações sem licitação, o que teria resultado em situações questionáveis do ponto de vista legal. MPRN

Alguns desses investigados chegaram a ser detidos temporariamente e, a partir de então, foram impedidos de ocupar cargos públicos como efeito cautelar da operação. Luciano Seixas

Este episódio, ainda hoje lembrado nas rodas políticas e conversas de bar, ilustra a tensão entre poder formal e responsabilidade pública, entre a imagem de festa e celebração e a realidade de regras que regem a gestão do dinheiro coletivo.


A ERA DA IMAGEM E SUA CONTRADIÇÃO

A Operação Máscara Negra coincide com um período em que o governo local — já sob influência crescente da figura de Hélio, o personagem central desta narrativa — colocava grande ênfase em eventos, celebrações e marketing político, em detrimento de debates mais profundos sobre serviços básicos e transparência.

A festa anunciada para o município terminou, naquele capítulo, por expor contrastes entre a forma e o conteúdo do que era apresentado publicamente e o que efetivamente estava sendo gerido nos cofres e na administração.

Em certa medida — e até de forma simbólica — a operação escancarou que, quando a política se confunde com a representação teatral de si mesma, a máscara pode cair — ainda que tardiamente.


O SIGNIFICADO POLÍTICO DA OPERAÇÃO

Para além dos nomes listados em denúncia ou mandados judiciais, a Máscara Negra se inscreve na memória política de Guamaré como um episódio que mostrou ao povo que: nem tudo que brilha nas festas tem brilho na administração; a publicidade intensa pode encobrir fragilidades institucionais; e que o controle e fiscalização são essenciais, mesmo quando a narrativa oficial tenta distrair com luzes e música.

Ainda que, juridicamente, cada pessoa tenha direito à defesa e a presunção de inocência, no contexto desta obra o episódio é tratado como ponto de inflexão — um momento em que as tensões entre poder, imagem e legalidade vieram à tona de forma pública e inestimável.


O DESCOMPASSO ENTRE FOLIA E SERVIÇO PÚBLICO

Curiosamente, parte da investigação teve como eixo um dos momentos mais celebrados do calendário social: o carnaval.

E isso não é casual.

No imaginário coletivo, festa é símbolo de alegria, festa é encontro comunitário.

Mas quando festa envolve recursos públicos, ela deixa de ser apenas festa — torna-se um ponto de disputa sobre o uso do dinheiro do povo.

E foi exatamente aí que, para muitos guamareenses, a Máscara Negra virou metáfora:

a máscara caiu, e o público viu — pela primeira vez em transparência forçada — os ruídos que rondavam a máquina pública. Luciano Seixas


ENCERRAMENTO DO CAPÍTULO

Este capítulo não encerra uma história de culpa ou condenação — isso cabe ao Direito.

Aqui, ele registra um momento histórico em que a política de Guamaré enfrentou um espelho incômodo.

A Máscara Negra foi mais que uma operação policial ou uma manchete: foi um sinal de alerta.

E, como todo sinal, precisa ser interpretado, discutido e registrado para que a cidade não repita os mesmos erros.


CAPÍTULO 5

AS RUÍNAS VISÍVEIS: SERVIÇOS ENFRAQUECIDOS E A CIDADE CANSADA

Depois das disputas, das operações e do barulho político, o que restou foi o cotidiano.

E é nele que a política se revela com mais nitidez.

As ruínas de Guamaré não surgiram de um dia para o outro. Elas foram se formando lentamente, como rachaduras que começam pequenas e, ignoradas, passam a comprometer toda a estrutura. Este capítulo trata do que o povo viu, sentiu e viveu quando a política da aparência já não conseguia esconder a realidade.

SAÚDE: A ESPERA COMO ROTINA

Na percepção popular, a saúde tornou-se o símbolo mais sensível do desgaste. Filas, falta de insumos, deslocamentos constantes para outros municípios e a sensação de improviso passaram a fazer parte da rotina de muitas famílias.

Não se trata apenas de números ou relatórios — trata-se do tempo perdido, da ansiedade, do medo. Para o cidadão comum, a impressão era clara: o sistema funcionava no limite, sempre reagindo, raramente prevenindo.

A promessa de eficiência contrastava com a experiência real de quem precisava do serviço.

EDUCAÇÃO: ESTRUTURA FRÁGIL, FUTURO INCERTO

Na educação, o discurso oficial de avanços convivia com relatos de infraestrutura precária, dificuldades de planejamento e descontinuidade de projetos. Professores e estudantes sentiam os efeitos de uma gestão que parecia alternar prioridades conforme o calendário político.

A escola, que deveria ser espaço de estabilidade, passou a refletir a instabilidade da própria administração. Para muitos jovens, o sentimento era de futuro suspenso, de oportunidades que não se consolidavam.

Hospital Manoel Lucas de Miranda

Biblioteca Pública de Guamaré

INFRAESTRUTURA: O ABANDONO VISÍVEL

Ruas deterioradas, obras inacabadas, equipamentos públicos sem manutenção adequada. As ruínas físicas começaram a falar por si. Diferente do discurso, o concreto não se convence por propaganda.

Bairros periféricos sentiam com mais intensidade a ausência do poder público. A desigualdade territorial tornou-se mais evidente, reforçando a percepção de que a cidade não era tratada por inteiro, mas por partes.


O CANSAÇO SOCIAL

Talvez o traço mais profundo desse período tenha sido o cansaço coletivo. Não um cansaço momentâneo, mas um esgotamento político e emocional.

As pessoas passaram a falar menos de política — não por concordância, mas por descrença. O debate foi sendo substituído por resignação. A cidade parecia funcionar no “automático”, enquanto a confiança nas instituições locais se enfraquecia.

O silêncio, antes imposto pelo medo, agora era alimentado pela fadiga.


A NORMALIZAÇÃO DO PROBLEMA

Quando a precariedade se torna rotina, ela corre o risco de ser naturalizada. Esse foi um dos efeitos mais perversos da Era NoHélio: o problema deixou de causar indignação imediata.

A pergunta deixou de ser “por que está assim?” e passou a ser “sempre foi assim?”.

Essa mudança sutil revela muito sobre a profundidade das ruínas.


ENTRE O DISCURSO E A REALIDADE

Enquanto a gestão insistia em narrativas de êxito, o povo lidava com a prática diária de serviços insuficientes. O abismo entre discurso e realidade tornou-se tema recorrente nas conversas informais, nos lares, nas esquinas.

Não era mais uma questão partidária.

Era uma questão de vivência.


ENCERRAMENTO DO CAPÍTULO

As ruínas visíveis de Guamaré não são apenas prédios desgastados ou serviços frágeis. São relações quebradas, confiança abalada e esperanças adiadas.

Este capítulo não pretende esgotar o tema, mas registrar um sentimento coletivo: o de que a cidade, rica em potencial, foi administrada com pouca escuta e muito controle.

No próximo capítulo, avançaremos para o momento em que esse cansaço começa a se transformar — lentamente — em questionamento, resistência e desejo de mudança.


CAPÍTULO 6

O HERDEIRO PREPARADO: ADRIANO DIÓGENES E O JOGO LONGO DO PODER

Quando um projeto político começa a perder legitimidade, ele precisa criar novos rostos para sobreviver.

Na Era NoHélio, esse movimento não foi improvisado — foi planejado com antecedência, como quase tudo naquele modelo de poder.

É nesse contexto que ganha centralidade a figura de Adriano Diógenes, ex-prefeito de Guamaré e aliado direto de Hélio Willame, apresentado à população como gestor técnico, moderno e eficiente, especialmente na área da saúde.

A SAÚDE COMO VITRINE

Sob a gestão de Adriano Diógenes à frente da Secretaria Municipal de Saúde, Guamaré passou por um período de forte investimento no setor. A estrutura foi ampliada, serviços foram fortalecidos e o município passou a receber destaque nacional, sendo citado em experiências e rankings positivos.

Para o olhar público, tratava-se de um avanço legítimo.

Para os bastidores políticos, segundo a leitura crítica desta obra, havia algo além da política pública: a construção calculada de uma imagem.

Nada disso acontecia sem o aval — e o comando — de NoHélio, o estrategista silencioso. A saúde tornou-se vitrine porque era o setor mais sensível, mais visível e mais facilmente traduzido em reconhecimento político.


A ESTRATÉGIA POR TRÁS DO ÊXITO

A pergunta que ecoava nos corredores do poder não era se Adriano estava fazendo um bom trabalho, mas por que justamente ele estava sendo projetado.

A resposta, segundo a memória política local, estava na falta de nomes fortes dentro do grupo situacionista. O desgaste do governo, somado aos contextos de investigações, denúncias, crises administrativas e descasos acumulados, havia enfraquecido possíveis sucessores naturais de Hélio.

Além disso, o próprio NoHélio já enfrentava impedimentos jurídicos graves, sobretudo relacionados à sucessão familiar no poder, tema sensível no direito eleitoral e constitucional. O risco de não poder continuar no comando deixou de ser hipótese e passou a ser realidade iminente.

Era preciso, portanto, preparar um substituto.

2018: QUANDO O PLANO SAI DO PAPEL

Suprema Corte Federal

O ano de 2018 marca um divisor de águas. A liminar que mantinha Hélio no poder foi cassada, e Guamaré entrou em um cenário inédito: a necessidade de uma eleição suplementar, a primeira de sua história.

Publicamente, o discurso era de surpresa e busca por alternativas.

Nos bastidores, porém, o nome já estava definido.

Adriano Diógenes foi eleito prefeito naquela eleição suplementar — exatamente aquele cuja imagem vinha sendo construída há anos, cuidadosamente, sob a tutela política de NoHélio.

Para muitos analistas locais, aquilo não foi improviso.

Foi a execução de um plano antigo.

No mundo de poder de Hélio, o tempo sempre foi longo.

Ele pensava dez anos à frente.


O PODER QUE NÃO LARGA O PODER

Arthur Teixeira e Gustavo Santiago, dois candidatos nas eleição suplementar de 2020

Mesmo fora do cargo, NoHélio não saiu do jogo.

Em 2020, ainda impedido de ser candidato, viu em Adriano não apenas um sucessor temporário, mas alguém que já havia cumprido sua função estratégica.

As fichas foram entregues.

O ciclo precisava continuar.

É então que surge um novo nome: Arthur, sobrinho de Hélio e filho de Auricélio Teixeira. Um personagem relativamente novo no cenário político, mas que, segundo a leitura desta obra, também vinha sendo preparado silenciosamente há menos de sete anos daquele pleito.

O sobrenome, o capital político familiar e a construção de uma imagem pública fizeram o resto.


A SOMBRA QUE NÃO SE APAGA

Há, contudo, um elemento que atravessa todas essas estratégias e que permanece como fantasma permanente do projeto de poder: a Operação Máscara Negra.

Ela foi, é e continua sendo — na memória política de Guamaré — o maior pesadelo de NoHélio. Não apenas pelo aspecto jurídico, mas pelo aspecto simbólico. A operação revelou o que estava oculto, expôs os bastidores e mostrou à população aquilo que não deveria ser visto.

A Máscara Negra retirou o verniz.

Mostrou o mecanismo.

E marcou definitivamente a imagem pública de seu principal articulador.


ENCERRAMENTO DO CAPÍTULO

A ascensão de Adriano Diógenes não pode ser compreendida apenas como fruto de mérito administrativo, nem sua eleição como simples acaso do destino político. Dentro da lógica da Era NoHélio, ele foi peça central de uma engrenagem maior.

Um projeto que não aceitava o fim.

Um poder que se recusava a largar o comando.

Uma estratégia que trocava rostos, mas preservava o centro.

No próximo capítulo, veremos o que acontece quando até os herdeiros começam a romper, e quando o projeto, antes coeso, entra em divisão interna e colapso político, culminando nos acontecimentos de 2024.


CAPÍTULO 7

A Divisão como Estratégia: O Golpe Silencioso e o Jogo de 2024

Toda estrutura de poder duradoura aprende, cedo ou tarde, que não é preciso vencer com maioria absoluta.

Basta impedir que o adversário vença.

Foi assim que a Era NoHélio entrou em sua fase mais sofisticada — não mais baseada apenas em controle institucional, mas em fragmentação calculada do campo oposicionista.


A ENTREGA E O DISCURSO DO “ATÉ BREVE”

Após a eleição suplementar e o período em que Adriano Diógenes ocupou o comando formal do Executivo, ocorreu um movimento que surpreendeu parte da população: a entrega do poder à família Miranda, tendo como articulador central, mais uma vez, Hélio Willame.

O prefeito eleito era seu sobrinho, fechando o ciclo da sucessão familiar que tanto havia tensionado o debate jurídico e político em anos anteriores.

Naquele momento, Adriano pronunciou um discurso que ficaria marcado na memória política local. Disse ter recebido “carta branca”, afirmou que havia cumprido seu papel após mais de 20 anos de serviços prestados a Guamaré, e anunciou que se afastaria da vida pública para cuidar de seus negócios e de seus “impérios” empresariais, encerrando com um simbólico:

“até breve”.

O tom não era de ruptura amarga.

Era de despedida calculada.


ROMPIMENTO REAL OU MOVIMENTO ENSAIADO?

Aquele gesto abriu duas grandes dúvidas que até hoje percorrem as conversas políticas da cidade:

Teria havido, de fato, um rompimento entre Adriano e Hélio, após duas décadas de aliança sólida, sem registros públicos de conflitos relevantes?

Ou estaria o município assistindo a mais uma estratégia, agora mais complexa, baseada na encenação do afastamento?

A dúvida não era gratuita. Na política de Guamaré, nada de relevante acontecia sem cálculo prévio.


A FUMAÇA DA OPOSIÇÃO (2023)

Adriano Diogenes ao lado de Mozaniel Rodrigues e demais presentes

Um ano antes das eleições de 2024, muito antes do calendário tradicional de articulações — que normalmente se intensificava a menos de seis meses do pleito —, Adriano passou a se movimentar publicamente.

Declarou-se oposição.

Filiou-se ao Podemos.

Iniciou diálogos com Mozaniel Rodrigues, liderança histórica da resistência política local.

Para muitos, parecia o nascimento de uma alternativa real.

Para outros, mais atentos aos bastidores, soava como tiro de fumaça.


A INFILTRAÇÃO SILENCIOSA

Enquanto discursava como opositor, Adriano transitava com facilidade por grupos familiares, lideranças comunitárias e, sobretudo, por espaços sensíveis da política local. O movimento mais delicado — e mais eficaz — ocorreu quando ele passou a circular dentro do núcleo restrito da família de João Pedro Filho, símbolo maior da oposição histórica.

Ali, segundo a leitura crítica desta obra, cumpriu-se uma missão estratégica: dividir.

Mesmo que isso custasse votos ao próprio grupo de Hélio, o cálculo era simples:

uma oposição dividida jamais venceria.

Criar uma terceira força não era erro.

Era método.


DIVIDIR PARA GOVERNAR

NoHélio sempre compreendeu que, em Guamaré, a maior ameaça ao seu projeto não era a rejeição popular isolada, mas a unidade da oposição.

Desde os anos 2000, essa oposição havia resistido a cassações, derrotas, rupturas e perseguições — permanecendo viva por mais de duas décadas.

A estratégia de 2024 foi diferente das anteriores:

não atacar frontalmente, mas fragmentar por dentro.

Mesmo que parte da população rejeitasse seus projetos, Hélio sairia vitorioso se seus adversários se anulassem entre si.


O GOLPE FINAL: A COOPTAÇÃO SIMBÓLICA

No ano seguinte, um novo movimento surpreendeu até os mais experientes observadores da política local. Hélio atraiu para seu campo Gustavo Santiago, figura historicamente ligada a João Pedro Filho, conhecido como fiel escudeiro da antiga liderança.

Não satisfeito, trouxe também Marciclecia, esposa de Gustavo, e outros familiares.

O gesto não foi apenas eleitoral.

Foi simbólico.

Ao capturar figuras ligadas à memória da resistência, Hélio enfraquecia não só candidaturas, mas identidades políticas. A mensagem era clara:ninguém era intocável.


ENCERRAMENTO DO CAPÍTULO

O que se viu em 2024 não foi apenas uma eleição.

Foi o ápice de uma estratégia baseada na divisão, na infiltração e no uso do tempo como arma política.

Adriano Diógenes, seja como aliado rompido ou ator de um jogo maior, cumpriu papel central nesse processo. Se houve ruptura real ou encenação estratégica, a história ainda julgará.

O fato incontestável é que a maior oposição de Guamaré saiu daquele processo enfraquecida, mais uma vez golpeada — como já ocorrera desde os anos 2000.

No próximo e último capítulo, veremos o legado da Era NoHélio, o que ficou das ruínas, e se a cidade conseguirá, um dia, reconstruir sua política a partir da verdade e da memória.

📊 Natal, Mossoró e Guamaré estão entre as maiores economias do RN

Dados recentes do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios do Rio Grande do Norte revelam uma forte concentração da riqueza estadual em poucas cidades. Natal, a capital potiguar, lidera com ampla vantagem, seguida por Mossoró e Parnamirim. O destaque que chama atenção é Guamaré, que aparece entre as cinco maiores economias do estado, impulsionada pelo setor energético.

🏙️ As 5 maiores economias do Rio Grande do Norte:

Natal – Com um PIB superior a R$ 31 bilhões, a capital responde por cerca de 30% de toda a economia estadual. O setor de serviços, turismo e administração pública são os principais motores.

Mossoró – Segunda maior economia do RN, com mais de R$ 10 bilhões em PIB, destaca-se pela força do comércio, educação, saúde, fruticultura irrigada e petróleo.

Parnamirim – Município da Região Metropolitana de Natal, possui economia diversificada e forte crescimento urbano e industrial.

São Gonçalo do Amarante – Importante polo logístico e industrial, abriga o Aeroporto Internacional Aluízio Alves, fator decisivo para sua posição econômica.

Guamaré – Mesmo com população reduzida, figura entre as maiores economias do RN graças à atividade petrolífera, geração de energia e arrecadação industrial.

⚠️ Concentração econômica

Os cinco municípios concentram mais da metade da riqueza produzida no estado, evidenciando desigualdades regionais e a necessidade de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do interior e à diversificação econômica.

Especialistas apontam que, apesar do volume de recursos gerados, o grande desafio está em transformar arrecadação em qualidade de vida, com investimentos em infraestrutura, emprego, renda e serviços públicos.

📌 Economia forte não é apenas arrecadar mais, mas fazer esse crescimento chegar à população.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Lançamento do Livro: A Família dos Venenos: memória, resistência e Identidade


PREFÁCIO

Este livro não nasceu para julgar.

Nasceu para lembrar.

A história da Família dos Venenos é, antes de tudo, a história de gente comum atravessada por acontecimentos extraordinários. Gente da roça, do rio, da luta diária, que nunca pediu para virar assunto, mas acabou virando memória.

Aqui não há heróis de capa nem vilões de novela. Há homens e mulheres reais, com falhas, medos, escolhas difíceis e uma força que só quem viveu sabe explicar. Este livro não esconde dores, mas também não as transforma em espetáculo. Ele respeita o silêncio onde o silêncio foi necessário e dá voz onde a memória pediu passagem.

O apelido “Veneno”, que um dia nasceu do medo e da tragédia, atravessou o tempo e virou identidade. Carregou peso, vergonha, resistência e, por fim, orgulho. Porque sobreviver também é um ato de coragem.

Estas páginas são feitas de lembranças contadas à beira da mesa, de histórias repetidas para não serem esquecidas, de cenas simples que sustentam uma família inteira. São fragmentos de um passado que moldou gerações e que ainda ecoa nos nomes, nos gestos e no jeito de existir.

Este livro é um ato de preservação.

É uma resposta ao esquecimento.

É um gesto de amor à própria origem.

Que quem leia encontre aqui não apenas uma família, mas um espelho das muitas famílias nordestinas que enfrentaram o destino sem perder a dignidade.

Porque toda história merece ser contada.

E toda memória, quando respeitada, vira legado.

— Ricardo Mendes


DEDICATÓRIA

À minha avó, Maria da Conceição de Medeiros (Ceição Veneno),

mulher de coragem silenciosa, raiz firme de uma família que nunca caiu.

Ao meu avô, Francisco de Assis Fernandes (Assis Veneno) (in memoriam), homem marcado pela vida, cujas dores atravessaram o tempo e viraram memória.

Aos dez que ficaram, que resistiram quando tudo parecia contra, e transformaram um nome pesado em identidade.

Aos que partiram cedo demais, cujas ausências também fazem parte da nossa história.

E a todos os Venenos, de sangue ou de coração, que carregam esse nome não como ferida, mas como prova de sobrevivência.

Este livro é para que nunca esqueçamos de onde viemos e por que seguimos.

— Ricardo Mendes


SINOPSE

Família dos Venenos é um livro de memórias que atravessa gerações para contar a história real de uma família nordestina marcada pelo destino, pela resistência e pela força da sobrevivência. Ambientada no sertão do Rio Grande do Norte, a narrativa acompanha a trajetória de Francisco de Assis Fernandes, o Assis Veneno, e de Maria da Conceição de Medeiros, Ceição Veneno, desde o encontro proibido que os uniu até a construção de uma família numerosa em meio às dificuldades da vida rural.

Entre perdas silenciosas, deslocamentos forçados e acontecimentos que transformaram um apelido em identidade, o livro revela o cotidiano simples de quem viveu sem luxo, mas nunca sem coragem. O episódio que deu origem ao nome “Veneno” atravessa a obra não como sensacionalismo, mas como símbolo de uma história maior: a de pessoas comuns enfrentando circunstâncias extremas em um tempo em que sobreviver era um ato diário de resistência.

Com linguagem sensível e respeito à memória, Família dos Venenos resgata cenas do dia a dia, diálogos, afetos e silêncios que moldaram gerações. Mais do que o retrato de uma família, a obra é um testemunho da cultura nordestina, da força dos laços familiares e da importância de preservar histórias que o tempo insiste em apagar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Há 20 Anos à Frente do Poder, Guamaré Ainda Depende do Bolsa Família — E a População Sente os Efeitos

Guamaré (RN) — Mesmo quase duas décadas depois do início de uma sequência contínua de gestões municipais, Guamaré enfrenta um paradoxo social que intriga especialistas e preocupa moradores: mais da metade da população ainda depende diretamente do Bolsa Família, o programa federal de transferência de renda que deveria ser um suporte temporário rumo à autonomia econômica.

Dados oficiais mostram que cerca de 50% a 55% dos guamareenses vivem em famílias beneficiárias do Bolsa Família, um número alarmante dado o tempo prolongado de estabilidade administrativa no município — quase 20 anos sob liderança similar e continuidade de poder. (Estimativa interna com base em dados oficiais)

Um Município Rico com Problemas Econômicos Estruturais

Guamaré já foi referência em arrecadação no Rio Grande do Norte, sobretudo por receitas per capita elevadas devido ao setor de petróleo e gás, figurando entre os municípios mais ricos do estado em termos de PIB per capita. Porém, a economia local sofre forte retração nos últimos anos, com queda substancial nos repasses de ICMS e ISS, impactando diretamente as contas públicas.

Apesar de receitas robustas no passado, a falta de desenvolvimento econômico diversificado deixou o município vulnerável às oscilações setoriais — e a população, sem alternativas claras de emprego sustentável.

Investimentos, Mas e os Resultados na Vida das Pessoas?

A atual gestão, sob o comando do prefeito Hélio Willamy (PSDB), tem divulgado avanços importantes em investimentos públicos, especialmente na saúde, com percentuais de aplicação das receitas municipais muito acima do mínimo constitucional e recordes em gastos na área. arafran.com.br

Mas enquanto dados contábeis impressionam — e são repetidos em páginas oficiais e blogs de apoio político — a realidade na vida de muitas famílias ainda é de dependência assistencial, sem uma transição econômica que reduza essa dependência de forma sustentável.

Crise Fiscal e Retração de Receitas

Segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado, Guamaré enfrenta em 2025 uma queda nas receitas municipais, com arrecadação prevista menor do que nos anos recentes. Isso pode repercutir diretamente na capacidade de financiar políticas públicas que não sejam apenas assistencialistas, mas de longo prazo — como desenvolvimento econômico, geração de empregos e qualificação profissional da população. Guamaré em Dia

A Falta de Saneamento e Infraestrutura que Não Convém

Dados oficiais também mostram que apenas cerca de 26,8% da população tem acesso regular à água potável, um indicador bem abaixo das médias estaduais e nacionais — um sinal claro de que muitas áreas básicas de infraestrutura ainda não avançaram como deveriam em quase 20 anos de gestão contínua. IAS - Instituto Água e Saneamento

Um Milagre Estatístico ou Resultado de Gestão?

As declarações dos órgãos municipais e blogs de apoio destacam com orgulho a aplicação de recursos na saúde e políticas públicas — e sem dúvida algum investimento foi feito. Porém, é preciso separar desempenho contábil de impacto social real. A dependência extrema de programas como o Bolsa Família, associada à falta de alternativas econômicas e à precariedade de serviços básicos como abastecimento de água, mostra que a gestão municipal ainda não conseguiu promover a tão almejada autonomia produtiva para a população.

Conclusão: Assistência Social vs. Autonomia Econômica

Guamaré enfrenta hoje um dilema central em sua trajetória: como transformar uma população tão dependente de benefícios em uma comunidade economicamente ativa e autossuficiente, sem que isso signifique simplesmente transferir verba pública sem retorno social duradouro?

Se os próximos anos não trouxerem políticas de geração de emprego, incentivo ao comércio local, qualificação profissional e diversificação econômica, a dependência do Bolsa Família pode continuar sendo mais um reflexo de gestão do que de necessidade real — e isso, para muitos críticos, é um sinal claro de que os 20 anos de poder não foram suficientes para gerar inclusão estrutural.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

GUAMARÉ SOB COBRANÇA: quando o povo paga a conta dos erros do poder

Às vésperas do Ano Novo, quando o povo espera alívio, esperança e renovação, a população de Guamaré recebe mais um “presente” indigesto da atual gestão: a consolidação da cobrança do IPTU municipal, somada à já recente taxa de iluminação pública majorada na conta de energia. Medidas que, longe de representar justiça fiscal, escancaram a transferência do peso da má gestão para os ombros do cidadão comum.

O prefeito Hélio surge como o porta-voz de uma política que insiste em arrecadar sem antes reparar, cobrar sem antes devolver em serviços públicos aquilo que é direito básico da população. Em distritos como Baixa do Meio, onde faltam saneamento adequado, pavimentação digna e investimentos estruturantes, o imposto chega não como instrumento de cidadania, mas como punição social.

A lógica é simples — e cruel: quem menos tem, paga mais proporcionalmente.

A taxa de iluminação pública, já sentida diretamente no bolso do cidadão todo mês, foi apenas o primeiro passo. Agora, o IPTU entra em cena como a nova ferramenta de pressão fiscal, sem debate amplo, sem pedagogia tributária e sem garantias reais de justiça social.

Não se trata apenas de cobrar imposto — trata-se de quando, como e de quem se cobra.

O discurso oficial tenta vender a narrativa da “organização fiscal” e da “responsabilidade administrativa”. Mas a população se pergunta, com razão: onde esteve essa responsabilidade ao longo dos últimos 20 anos?

Quem responde pelos buracos — não apenas nas ruas, mas nas contas públicas — deixados por sucessivas gestões que sugaram os recursos de Guamaré sem construir um legado proporcional?

Agora, a conta chega.

E, como quase sempre acontece, não chega aos grandes, nem aos historicamente favorecidos pelo poder local. Chega ao trabalhador, ao aposentado, à dona de casa, ao morador de bairro periférico, ao povo de Baixa do Meio.

A implantação ou fortalecimento do IPTU, sem uma Planta Genérica de Valores socialmente justa, sem isenções claras, sem escalonamento e sem diálogo com a população, é um erro político grave e um risco social anunciado. Arrecadar sem sensibilidade é governar contra o povo.

Guamaré não precisa apenas de mais impostos.

Precisa de:

  • transparência real;
  • revisão das prioridades;
  • responsabilização histórica;
  • e, sobretudo, respeito à dignidade da população.

Não se pode pedir ao povo que tape buracos financeiros criados por décadas de má gestão enquanto continua desviando o olhar dos buracos reais das ruas, das casas e da vida cotidiana.

Justiça fiscal começa pelo exemplo de quem governa, não pela punição de quem já sofre.

O povo de Guamaré não é problema.

O problema é governar sem ouvir, sem cuidar e sem assumir os próprios erros.

Veja documento (decreto 046/2025) do diário oficial do município de Guamaré:


























MPRN aponta má-fé, desobediência judicial e pede busca e apreensão na Câmara de Guamaré

Guamaré (RN) — Um parecer contundente do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) expôs graves irregularidades praticadas pela Presi...