sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Lançamento do Livro: A Família dos Venenos: memória, resistência e Identidade


PREFÁCIO

Este livro não nasceu para julgar.

Nasceu para lembrar.

A história da Família dos Venenos é, antes de tudo, a história de gente comum atravessada por acontecimentos extraordinários. Gente da roça, do rio, da luta diária, que nunca pediu para virar assunto, mas acabou virando memória.

Aqui não há heróis de capa nem vilões de novela. Há homens e mulheres reais, com falhas, medos, escolhas difíceis e uma força que só quem viveu sabe explicar. Este livro não esconde dores, mas também não as transforma em espetáculo. Ele respeita o silêncio onde o silêncio foi necessário e dá voz onde a memória pediu passagem.

O apelido “Veneno”, que um dia nasceu do medo e da tragédia, atravessou o tempo e virou identidade. Carregou peso, vergonha, resistência e, por fim, orgulho. Porque sobreviver também é um ato de coragem.

Estas páginas são feitas de lembranças contadas à beira da mesa, de histórias repetidas para não serem esquecidas, de cenas simples que sustentam uma família inteira. São fragmentos de um passado que moldou gerações e que ainda ecoa nos nomes, nos gestos e no jeito de existir.

Este livro é um ato de preservação.

É uma resposta ao esquecimento.

É um gesto de amor à própria origem.

Que quem leia encontre aqui não apenas uma família, mas um espelho das muitas famílias nordestinas que enfrentaram o destino sem perder a dignidade.

Porque toda história merece ser contada.

E toda memória, quando respeitada, vira legado.

— Ricardo Mendes


DEDICATÓRIA

À minha avó, Maria da Conceição de Medeiros (Ceição Veneno),

mulher de coragem silenciosa, raiz firme de uma família que nunca caiu.

Ao meu avô, Francisco de Assis Fernandes (Assis Veneno) (in memoriam), homem marcado pela vida, cujas dores atravessaram o tempo e viraram memória.

Aos dez que ficaram, que resistiram quando tudo parecia contra, e transformaram um nome pesado em identidade.

Aos que partiram cedo demais, cujas ausências também fazem parte da nossa história.

E a todos os Venenos, de sangue ou de coração, que carregam esse nome não como ferida, mas como prova de sobrevivência.

Este livro é para que nunca esqueçamos de onde viemos e por que seguimos.

— Ricardo Mendes


SINOPSE

Família dos Venenos é um livro de memórias que atravessa gerações para contar a história real de uma família nordestina marcada pelo destino, pela resistência e pela força da sobrevivência. Ambientada no sertão do Rio Grande do Norte, a narrativa acompanha a trajetória de Francisco de Assis Fernandes, o Assis Veneno, e de Maria da Conceição de Medeiros, Ceição Veneno, desde o encontro proibido que os uniu até a construção de uma família numerosa em meio às dificuldades da vida rural.

Entre perdas silenciosas, deslocamentos forçados e acontecimentos que transformaram um apelido em identidade, o livro revela o cotidiano simples de quem viveu sem luxo, mas nunca sem coragem. O episódio que deu origem ao nome “Veneno” atravessa a obra não como sensacionalismo, mas como símbolo de uma história maior: a de pessoas comuns enfrentando circunstâncias extremas em um tempo em que sobreviver era um ato diário de resistência.

Com linguagem sensível e respeito à memória, Família dos Venenos resgata cenas do dia a dia, diálogos, afetos e silêncios que moldaram gerações. Mais do que o retrato de uma família, a obra é um testemunho da cultura nordestina, da força dos laços familiares e da importância de preservar histórias que o tempo insiste em apagar.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Há 20 Anos à Frente do Poder, Guamaré Ainda Depende do Bolsa Família — E a População Sente os Efeitos

Guamaré (RN) — Mesmo quase duas décadas depois do início de uma sequência contínua de gestões municipais, Guamaré enfrenta um paradoxo social que intriga especialistas e preocupa moradores: mais da metade da população ainda depende diretamente do Bolsa Família, o programa federal de transferência de renda que deveria ser um suporte temporário rumo à autonomia econômica.

Dados oficiais mostram que cerca de 50% a 55% dos guamareenses vivem em famílias beneficiárias do Bolsa Família, um número alarmante dado o tempo prolongado de estabilidade administrativa no município — quase 20 anos sob liderança similar e continuidade de poder. (Estimativa interna com base em dados oficiais)

Um Município Rico com Problemas Econômicos Estruturais

Guamaré já foi referência em arrecadação no Rio Grande do Norte, sobretudo por receitas per capita elevadas devido ao setor de petróleo e gás, figurando entre os municípios mais ricos do estado em termos de PIB per capita. Porém, a economia local sofre forte retração nos últimos anos, com queda substancial nos repasses de ICMS e ISS, impactando diretamente as contas públicas.

Apesar de receitas robustas no passado, a falta de desenvolvimento econômico diversificado deixou o município vulnerável às oscilações setoriais — e a população, sem alternativas claras de emprego sustentável.

Investimentos, Mas e os Resultados na Vida das Pessoas?

A atual gestão, sob o comando do prefeito Hélio Willamy (PSDB), tem divulgado avanços importantes em investimentos públicos, especialmente na saúde, com percentuais de aplicação das receitas municipais muito acima do mínimo constitucional e recordes em gastos na área. arafran.com.br

Mas enquanto dados contábeis impressionam — e são repetidos em páginas oficiais e blogs de apoio político — a realidade na vida de muitas famílias ainda é de dependência assistencial, sem uma transição econômica que reduza essa dependência de forma sustentável.

Crise Fiscal e Retração de Receitas

Segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado, Guamaré enfrenta em 2025 uma queda nas receitas municipais, com arrecadação prevista menor do que nos anos recentes. Isso pode repercutir diretamente na capacidade de financiar políticas públicas que não sejam apenas assistencialistas, mas de longo prazo — como desenvolvimento econômico, geração de empregos e qualificação profissional da população. Guamaré em Dia

A Falta de Saneamento e Infraestrutura que Não Convém

Dados oficiais também mostram que apenas cerca de 26,8% da população tem acesso regular à água potável, um indicador bem abaixo das médias estaduais e nacionais — um sinal claro de que muitas áreas básicas de infraestrutura ainda não avançaram como deveriam em quase 20 anos de gestão contínua. IAS - Instituto Água e Saneamento

Um Milagre Estatístico ou Resultado de Gestão?

As declarações dos órgãos municipais e blogs de apoio destacam com orgulho a aplicação de recursos na saúde e políticas públicas — e sem dúvida algum investimento foi feito. Porém, é preciso separar desempenho contábil de impacto social real. A dependência extrema de programas como o Bolsa Família, associada à falta de alternativas econômicas e à precariedade de serviços básicos como abastecimento de água, mostra que a gestão municipal ainda não conseguiu promover a tão almejada autonomia produtiva para a população.

Conclusão: Assistência Social vs. Autonomia Econômica

Guamaré enfrenta hoje um dilema central em sua trajetória: como transformar uma população tão dependente de benefícios em uma comunidade economicamente ativa e autossuficiente, sem que isso signifique simplesmente transferir verba pública sem retorno social duradouro?

Se os próximos anos não trouxerem políticas de geração de emprego, incentivo ao comércio local, qualificação profissional e diversificação econômica, a dependência do Bolsa Família pode continuar sendo mais um reflexo de gestão do que de necessidade real — e isso, para muitos críticos, é um sinal claro de que os 20 anos de poder não foram suficientes para gerar inclusão estrutural.

MPRN aponta má-fé, desobediência judicial e pede busca e apreensão na Câmara de Guamaré

Guamaré (RN) — Um parecer contundente do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) expôs graves irregularidades praticadas pela Presi...